A Brasa do Alentejo,Lda.

Comercio de Carnes e Enchidos de Porco Preto Alentejano

Beneficios da Carne de Porco Preto Alentejano

 

  

O porco alentejano apresenta características muito próprias no que se refere à sua criação bem como à sua composição corporal. Trata-se de um animal criado num regime extensivo, podendo demorar 18 meses até alcançar idade de abate, ao contrário do porco criado em regime intensivo que apenas num prazo de aproximadamente 3 meses se encontra em condições de abate.

A forma como o porco alentejano é alimentado e criado é que o diferencia, pois estes animais na fase de montado alimentam-se sobretudo de bolota, ervas e tudo aquilo que o campo lhes oferece. Tal facto assume um papel preponderante na constituição final do animal, que associado a uma predisposição genética leva à existência de uma maior quantidade de gordura intra e inter muscular, bem como subcutânea, tornando a carne destes animais mais tenra, mais saborosa e com uma coloração diferente, o que também é promovido pela actividade muscular aumentada.

As características nutricionais deste tipo de carne bem como as condições de criação destes animais em regime extensivo são actualmente asseguradas por uma entidade, a ANCPA – Associação Nacional dos Criadores do Porco Alentejano, a qual tem desenvolvido diversas acções para garantir a qualidade do produto final que é disponibilizado ao consumidor, nomeadamente é efectuada a análise à composição da gordura do animal, antes de entrar no montado e após abate. Assim, têm sido controladas as condições de produção destes animais para que no final a sua carne forneça o perfil lipídico (teor e tipos de gordura) pré-estabelecido para a denominação de porco alentejano.

Analisando a gordura que esta carne apresenta e comparando-a com a do porco branco verifica-se que existe uma maior insaturação da sua gordura, ou seja, o porco alentejano apresenta na sua composição final valores de ácido oleico na ordem dos 56,5% enquanto que no porco branco os valores deste ácido rondam os 44 %. Assim, verificamos que mais de 50% da gordura do porco alentejano é igual ao ácido gordo monoinstaurado presente no azeite.

O ácido palmítico é o ácido gordo saturado com maior expressão: 19% no porco alentejano enquanto que no porco branco o seu teor ronda os 24%.

Um outro parâmetro que difere de uma forma expressiva neste animal é o ácido linoleico que no porco alentejano não pode exceder os 9,5 %, e no porco branco representa cerca de14% da gordura total do animal.

Para além das diferenças no perfil da gordura acima referenciadas é ainda de salientar que os animais criados em regime extensivo apresentam uma concentração de tocoferol e quercitina (ambos antioxidantes) acima dos teores verificados em animais criados em regime intensivo. A quercitina está presente em grandes quantidades na bolota, uma vez que esta constitui uma parte expressiva da ingestão alimentar do porco alentejano durante o período de montado. Por outro lado, o tocoferol, conhecido por vitamina E, encontrado na gordura está presente em maior concentração neste tipo de carne.

Gostaria ainda de esclarecer que a designação de porco alentejano se refere, para além da composição corporal acima descrita, ao seu regime especial de criação. Deste modo, sinto-me na obrigação de alertar que a carne de porco preto não tem necessariamente de obedecer às características acima mencionadas. Assim, a composição nutricional descrita anteriormente só está garantida aquando da aquisição de carne com a denominação de porco alentejano. Por fim, importa salientar que uma alimentação saudável pode contemplar este tipo de carne de acordo com a sua composição nutricional e se consumida com moderação.

Dr.ª Magda Serras




Este artigo foi também publicado na Revista Agros, suplemento do jornal Expresso